Liderança – Dificuldades na comunicação

Liderança – Dificuldades na comunicação

Fonte: RH.com.br – Bárbara Borges

A cada dia que passa, mais vemos caminhos para o desenvolvimento de líderes no mercado de trabalho. Felizmente, hoje é relativamente fácil buscar por alternativas para formação e desenvolvimento da liderança, que traz consigo a necessidade de capacitação e de amadurecimento de diversas competências do líder, tais como: o foco em resultados; o trabalho em equipe; a visão estratégica; o relacionamento interpessoal, a comunicação etc. No entanto, participar de treinamentos técnicos e vivenciais, estudar as teorias de liderança, fazer parte de programas de coaching ou todas as alternativas anteriores e mais algumas, jamais serão suficientes para garantir a realização de ações concretas, que não só validem a liderança de alguém, mas que também tragam maiores resultados para a organização. Segundo as palavras do filósofo chinês Lao Tsé, Saber e não fazer, ainda não é saber.

De muitas competências um bom líder é feito. Hoje, gostaria de concentrar o texto especialmente na comunicação e nas dificuldades que algumas pessoas possuem nesta competência, o que pode comprometer a relação de líderes e equipes.

Comunicar seja o que for – um projeto, uma tarefa, um resultado etc. – é algo que requer atenção no envio da mensagem e na percepção sobre o entendimento do outro.

Quem nunca teve a sensação de explicar algo da melhor forma possível, e percebeu depois que o outro entendeu de maneira totalmente diferente a mensagem inicial? E quantas pessoas não tiveram ou ainda têm um gestor que se comportou da mesma forma? E, se este gestor simplesmente se nega a reconhecer o erro na mensagem enviada por ele, muitas vezes usando seu poder para “culpar” um subordinado por um ruído na comunicação? Estas situações que percebemos como clichês ainda acontecem… Não é?

Muito bem, erramos. Sim, somos humanos e vamos errar sempre. Faz parte da trajetória. Comunicamos da melhor forma que podemos e o outro tentará entender a mensagem da melhor forma que puder. A questão é o que fazemos com tal dificuldade quando estamos numa posição de liderança. O líder precisa lembrar que o responsável pela mensagem é o emissor e não o receptor. E o que o receptor fará depois com a informação deve ser acompanhado por ele.

Pessoas com dificuldades de comunicação podem passar por situações extremamente embaraçosas, mas se uma destas pessoas é líder de equipe, precisará de uma boa dose de autoconhecimento e humildade para lidar com a questão, de forma a não afetar sua imagem perante os demais nem quebrar a confiança estabelecida, seja com quem for. A pior coisa que pode acontecer a quem lidera é ter uma imagem de pessoa pouco confiável, do tipo que fala uma coisa e depois diz que falou outra. Por mais que seja inocente em suas ações, certamente ficará marcado. Talvez, o caminho seja mostrar-se aberto ao feedback de quem está próximo, seja ele seu líder, seu par ou seu subordinado. Quem está perto pode nos ensinar muito sobre nós, já que muitas vezes não fazemos ideia de nossas necessidades de desenvolvimento.

Quando, por qualquer razão, orientamos nossa equipe ou interagimos com nossos líderes, parceiros ou clientes de forma errada, o caminho mais simples e honesto é clarificar o erro, assumindo-o e seguindo em frente, com especial atenção para não acontecer novamente. Afinal, ninguém deseja errar, muito menos no trabalho. Não é proposital.

Assumir um erro não é uma questão de perda de poder, mas de maturidade, de senioridade. É algo esperado em pessoas que ocupam o lugar de líder. Quando nos comprometemos com algo como liderança de pessoas, é preciso construir a confiança. Ela é complexa, criada a duras penas, às vezes, e pode ser destruída rapidamente.

Portanto, se você é líder e precisa orientar alguém, tenha certeza de que a pessoa compreendeu o que você disse. Pergunte o que ela entendeu após a explicação. Não como um orientador retrógrado, arguindo o aluno de maneira autoritária, mas como um líder parceiro que precisa saber se foi claro nos pontos em que precisava ser.

Se você está lidando com clientes internos ou externos e precisa fechar um acordo, ao final da conversa, retome os pontos alinhados, pergunte se restou alguma dúvida e repita o que você acordou com eles. Se você está alinhando um projeto com um par, faça o mesmo. Não deixe para o outro interpretar uma expressão, um olhar diferente, ou adivinhar seu pensamento. Ele não conseguirá fazer isso e vocês terão problemas muito em breve.

Expressões do tipo Você entendeu o que eu quis dizer, não é?” não são produtivas. Às vezes, o outro pode dizer que entendeu para não parecer pouco inteligente, ou mesmo para não contrariá-lo. Pergunte o que ele entendeu, literalmente. Se houver algum ruído, poderá ser tratado aí.

E caso não tenha jeito e a informação tenha seguido até o outro com erro, quando você perceber, diga o que aconteceu, assuma sua responsabilidade, resolva e siga em frente. Muitas vezes, não percebemos quando algo assim acontece. Então, fique atento aos feedbacks que recebe. Podem ser extremamente úteis para permitir que você se conheça um pouco mais. E se lembre: uma vez destruída a confiança entre um líder e sua equipe, retomar esse processo de construção não será como da primeira vez. E talvez não haja uma segunda chance. Fique atento.

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